Mavericks vs. Status quo



Maverick

[nome]
Pessoa que demonstra independência de pensamento e de acção, especialmente pela recusa em aderir às políticas de um grupo ao qual ele ou ela pertença.
[adjectivo]
Caracterizado por demonstrar independência de pensamento ou de acção.





Dissidente, rebelde, aventureiro. Nenhuma destas palavras traduz perfeitamente o que "maverick" significa em inglês e portanto deixei a palavra na língua original.

No tempo da liberdade, e falando do mundo ocidentalizado, é banal pensar-se que se é independente, na acção e no pensamento. Mas aprofundando mais o olhar e a perspicácia na análise, facilmente se chega à conclusão de que a manipulação do ser humano se esconde em cada recanto e de que o "seguir da manada" muito facilmente se entranha nos poros da pele de qualquer um, mesmo naquele que se orgulha de ter já atingido o estatuto de senhor de si mesmo.

De repente, e sem se questionar porquê, tem-se em casa as cores e decorações da moda, veste-se de acordo com a moda, vê-se e comenta-se os programas da moda, vai-se aos lugares da moda, têm-se os gadgets da moda, adorava-se tirar aquele cursinho tão em voga que daria imenso sucesso porque... está na moda, atira-se para o chão o tapete do yoga, deixou-se de fumar (finalmente!) e tem-se todos os cuidados com a alimentação porque de repente já nada disto é "cool" e convenhamos, até é tudo muito bom para a saúde que é idolatrada hoje em dia como moda, e para a forma física que é acompanhada de uma pressão social que vai do discreto ao bastante incomodativo, conforme o caso.

Raros são os que têm opiniões ou visões "out of the box". Criativos (realmente criativos e não desvairados) são ainda relativamente poucos os que existem, e outros, em potência, têm dificuldade em se desenvolver porque este mundo ainda não os valoriza o suficiente, nem lhes dá espaço para que se desenvolvam. E obviamente não me estou a limitar à área profissional, mas a todas as áreas da vida, afinal, devemos ser um todo e não partes em desarmonia.

Poucos são os que questionam o "status quo" - o estado actual das coisas. 
Quantos (voluntariamente) é que se atrevem a fazer as coisas de modo diferente, à sua maneira, com a sua visão, suportando a crítica dos outros, o "tu vais falhar", "tu estás louco", "isso não vai dar certo"? 
Custa romper com o fluir da corrente do rio das massas, remar para a margem, ou seja, lutar contra as forças de resistência que surgem (internas e externas) desde o primeiro movimento que nos movemos numa direcção diferente e manter essa persistência (insana aos olhos alheios) na direcção das nossas convicções e dos nossos sonhos. 

Mas depois dessa viagem, quando chegarmos a terra sentimos uma firmeza debaixo dos nossos pés que o rio das massas não nos poderia nunca dar. Podemos finalmente construir algo mais durável, onde quisermos e usando todas as nossas potencialidades.

Com grande poder vêm grandes responsabilidades: temos que ter agora a contínua coragem de nos dirigirmos a nós mesmos pois já não dependemos da corrente do rio para, sem destino, nos levar como folhas mortas.  Há que renovarmos a nossa motivação. Não dar o atingido por garantido. Relembramo-nos constantemente dos nossos sonhos. Ter bem claros os nossos ideais de vida. Sermos generosos e humildes; ninguém é uma ilha, por mais independente que seja.

Somos nós que decidimos o curso da nossa vida. 
Chegámos à independência do pensar e do agir.
Somos Mavericks.




Workshop de escrita criativa








WORKSHOP DE ESCRITA CRIATIVA


~
5 de Dezembro, às 10h
Local: Nova Acrópole Aveiro


Neste workshop irá aprender quais são as qualidades de um escritor, as etapas da escrita e os métodos de trabalho que facilitam a mesma.
Aprenderá truques para encontrar e desbloquear ideias, como gerar suspense e como organizar um enredo.
Finalmente irá conhecer algumas das ferramentas de escrita criativa com exemplos de aplicação prática e ser-lhe-á proposto que desenvolva um texto original com base nas ferramentas aprendidas e nos conteúdos expostos.

          Por: Stelya Pereira 
          Inscrições: aveiro@nova-acropole.pt
          Custo: 20€


Mais informações:  
https://www.facebook.com/events/798825303576519
http://www.novaacropoleaveiro.org 


Sobre a solidão








"A minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas... Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia."


Friedrich Nietzsche


 
 
A solidão é geralmente vista pela sociedade como um problema a que se deve fugir a todo o custo. Estar só é sinónimo de problemas de relacionamento com os outros, depressão, inadaptação, mau-estar, etc... Mas se afastarmos a nossa mente desse quadro, poderemos ver que existem outros casos observáveis de pessoas que vivem no isolamento e que não se prende com nenhum dos factores descritos. Monges, escritores, artistas, fotógrafos da Natureza,  cientistas... todos eles sempre procuraram a solidão para encontrarem-se com a espiritualidade, a criatividade, a imaginação, etc, completamente despoluída dos estímulos exteriores que nos distraem de uma busca que necessita de se realizar no interior de nós mesmos.
Saber estar só para vivermos a totalidade das nossas potencialidades interiores torna-se assim uma capacidade a desenvolver e não a temer.
 

Renovatio

(Autor desconhecido)




Renovar vem do latim “Renovatio” que significa renascimento; a acção de tornar novo.
A renovação é a ação que se opõe às forças de natural degradação de todas as coisas através do tempo. Tudo tem um tempo quando sustentado por si só. Findo esse tempo, é preciso renovar, pegar nos elementos envelhecidos e sem brilho e transmutá-los em algo novo. Esta operação dá-se desde as realidades mais objetivas do mundo físico às mais internas, dentro e fora do ser humano.
A renovação não se dá sem sentido. A cada renovação a Natureza, da qual fazemos parte, busca aperfeiçoar-se, aprender com as experiências adquiridas através das máscaras desgastadas pelo tempo, superar as que não são mais necessárias e assim criar novas estruturas, mais aptas para plasmar o arquétipo que lhes corresponde. Assim sendo, a renovação é parte de um processo de evolução, em que a purificação lhe está diretamente relacionada. Renovar é purificar, é reestruturar, analisar e descartar os elementos que não servem, potenciar e desenvolver os elementos chave que levam ao desabrochar da essência que reside no interior e que interliga todas as coisas.


Just thinking... about thoughts.



(Surreal photography - Unknown author)


Thoughts. They're just thoughts, right? I mean, it’s not like I’m going to be arrested or convicted in a court of law for having just some thoughts. Because thoughts aren’t tangible, people can’t see them, they don’t exist outside of our heads. Right??
Well, not quite. A thought can be VERY real, if you think that every action is born with a thought, unless your crazy. They make up our world as we see it through our ideas, beliefs, and mental schemes. There is nothing that you do that doesn’t have a thought behind it. Even if you don’t know that you’re thinking. The mind never stops, not even in our sleep. So, an underlying bad (or good) thought can influence you according to its nature, and even without you knowing, runs in your unconscient mind, like a broken code embedded in your inner “software”. Negative thoughts lead to actions that causes, sooner or later, troubles and sufferings that appear apparently “out of the blue”. And then you wonder why.

So - thoughts. Maybe they’re not JUST thoughts. Maybe they are the doorway (or one of them) to living the life that you really want to live, because when you acquire the hability to think what you REALLY want to think, you influence also your emotions (because emotions are always in direct relation to what and how we think about things).
And what do you really want to think? Let’s see. What do you want to do? How do you want to feel? Everybody wants to be happy, right? So, the thoughts that give you that are those that influences you for the best and towards what is the right thing to do in every situation.
This leads us to another question. What is “the best”? How do we know it? Well, you can learn from your mistakes so you don’t repeat them, but this method requires a lot of pain. Let’s think something else. You can learn from those who have been through that pain, and came to some conclusion about it. In this sense, every philosopher is your friend, even if he isn’t formally named as such. Because any person that asks for the truth, and tries to reach it, is a philosopher. But, after you came in contact with what they say about things, you need to practice. Take it to your own life, and live it. Because thoughts are meant to became actions, so you must act.
This is how you will change your life. Through the practice of knowledge that brings you the wisdom to live life as you should, so you can be TRULLY happy.

So, just think it over. Take care of your thoughts. Are you really in control of your own mind? Or have you been overrided by your mind, spinning around without a steady course, in spite of the consequences?

Thoughts - they’re NOT just thoughts. They’re a part of you that you need to master – or they will master you. 



Por vezes o que chamas de azar é mesmo a tua sorte







"Às vezes, não conseguir o que você quer é uma tremenda sorte."

Dalai Lama



Bom dia! 
Saber querer o que se deve querer, aquilo que é de facto melhor para nós e não o que satisfaz apenas o nosso ego, desejos ou vícios, muitas vezes sob um disfarce de benefício a curto prazo, é um triunfo. 
Querer é poder, no entanto, há - felizmente - casos em que nos é trancado o acesso ao que desejamos. 

Vejam sempre o outro lado da moeda. Aproveitem e dêem valor à misericórdia da Vida, que nos quer poupar a mais dores do que aquelas que nos são justamente devidas, pelos erros que cometemos aqui e ali. As dores "justamente devidas" que temos que passar, são aquelas que acontecem para nosso próprio bem, isto é, para nos proporcionar o crescimento e um evoluir de consciência que muitas vezes só advém da experiência e da dor que nos força a ver e a fazer as coisas de modo diferente. Ao serem bem ultrapassadas, essas dores, vemos que saímos sempre do outro lado desse túnel escuro e angustiante mais fortes e seguros. Assim é como o comum ser humano aprende na vida. 

Por vezes teimamos em querer abrir portas fechadas, em querer seguir por caminhos de ilusão que apenas têm espinhos e repetidos buracos negros, em insistimos em pôr na mente ideias que não nos trazem nada de bom e que na maior parte das vezes fazem mesmo é mal, em cultivarmos emoções que apenas nos atraem situações e pessoas erradas e tudo isto nos traz, mais cedo ou mais tarde, sofrimento, que por vezes nos parece que vem injustamente, porque parece vir "do nada", sem nos apercebermos que a causa de tudo isso somos nós e a nossa insistente vontade em trilhar o caminho da dor.

Demoremo-nos um momento em perceber a tremenda sorte que pode ser essa porta fechada - a que desesperadamente teimamos em abrir - que ao não ceder à nossa insistência, não nos revela também depois uma realidade diferente e mais dura do que a que esperávamos, e da qual talvez teriamos posterior dificuldade em fugir.

Sintamos a alegria de não pisar aquele caminho que nos parece de ouro e pedras preciosas mas que depois se iria revelar fútil, estéril e cheio de dificuldades vãs, que não levam a lado nenhum, e nem traria sentido à nossa vida.
Tentemos perceber a sorte que é podermos impedir todas as "vontades" impulsivas ou tolas, mas que na altura nos parecem sábias e necessárias, que vêm sempre primeiro na forma de pensamentos, depois emoções e finalmente tornam actos, de se manifestarem quando querem, de as podermos dominar seja no nosso mundo interior ou exterior, sob pena de darmos asas ao pior de nós, de sofrermos com isso e fazermos sofrer também os outros, de quebrar coisas que não mais se consertam por mais que choremos, de entrarmos em espirais negativas que nos filtram os olhos com uma tela negra e fatalista, de não vivermos nem desenvolvermos o melhor de nós e por consequência, apenas atrairmos o pior dos outros e do mundo.

Percebamos a sorte que são as dificuldades que por vezes passamos e que nos dizem: "não é por aí" ou "não estás a ver bem as coisas, redefine os teus valores, as tuas prioridades de vida", "estás iludido pelas aparências, vê o que está oculto", ou simplesmente "precisas de ultrapassar isto para seres mais forte, porque sendo mais forte serás mais feliz".

A Vida não é cega nem ao acaso. É uma engrenagem dinâmica que tudo move num sentido, num universo ou Unus+Versus. É importante perceber a origem e o significado desta palavra. Em latim, Unus: um, no sentido de tudo num só, ou unidade + Versus: rotação, transformação, rumo - o que resulta em: "tudo transformado como um só ou num só rumo/sentido". Sentido esse que só iremos desvendar à medida que vamos percebendo as coisas como são (e não como as vemos por detrás de todos os nossos filtros pessoais), à medida que nos vamos conhecendo cada vez melhor a nós (e assim começar a ter mão nas estruturas psico-mentais que nos fazem querer o que na realidade não é o melhor para nós) e por consequência conhecer melhor o outro (o que nos faz ser mais tolerantes e capazes de ajudar realmente o próximo - por vemos que o outro não é na realidade diferente de nós nos pontos fundamentais que constituem a essência de um ser humano) e em último instante, conhecer as engrenagens do mundo, do universo, de tudo o que existe (o que nos permite dar um sentido, um rumo à nossa vida; construir um eixo que guie todos os nossos actos a um fim que nos preencha aquele vazio interior que muitos sentem).

Porque está tudo inteligado. 
E talvez seja por isso que estás a ler isto aqui e agora. Porque a Vida encontra sempre um modo de falar contigo. Com todos nós. Nem sempre é de forma tão directa como este texto. Às vezes são pequenos sinais que nos passam ao lado, porque vamos distraídos a olhar para a aparência das coisas, e assim insistimos em ignorar, ignorar, ignorar... até ao dia em que não podemos ignorar mais pois a Vida vai aumentando o volume com que nos grita aos ouvidos, até que decidamos ouvi-la. Depois vem uma doença, uma separação, um despedimento, uma crise de identidade, uma pessoa que morre... foi a Vida que teve que gritar mais alto para nos obrigar a parar e estar num estado mais receptivo a ouvir.

E mesmo com todas as dores e desgraças, já viste a sorte que é teres uma Vida, uma verdadeira Mãe Natureza, que grita contigo, que se preocupa contigo, para que faças o que realmente te leva a ser feliz?... Uma crise não é mais do que a Vida a gritar contigo, a dar-te dores para que finalmente mudes de sentido, para que unas todas as rotas distintas que tens em cada campo da tua vida em uma só rota, com uma só direcção, para que deixes os velhos modos de ser que te levam inconscientemente a campos de espinhos e buracos, para que possas a partir desse momento começar a encontrar a tua felicidade.



O problema da existência de Deus



"Os argumentos relativos ao problema da existência de Deus têm sido viciados, quando positivos, pela circunstância de frequentemente se querer demonstrar, não a simples existência de Deus, senão a existência de determinado Deus, isto é, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo é efeito de uma causa é uma coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente é outra coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente e infinita é outra coisa ainda; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente, infinita e benévola outra coisa mais. Importa, pois, ao discutirmos o problema da existência de Deus, nos esclareçamos primeiro a nós mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, até onde é possível uma demonstração. 
O conceito de Deus, reduzido à sua abstração definidora, é o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou não — são conceitos atributários. Com maior força o são os conceitos de bondade, e outros assim, que, como já notamos têm andado misturados com os fundamentais na discussão deste problema. 
Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, (1) que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente (2) que essa causa é inteligente, isto é, conscientemente activa. Nada mais está substancialmente incluído na demonstração da existência de Deus, propriamente dita. 
Reduzido assim o conteúdo do problema às suas proporções racionais, resta saber se existe no raciocínio humano o poder de chegar até ali, e, chegando até ali, de ir mais além, ainda que esse além não seja já parte do problema em si, tal como o devemos pôr." 
Fernando Pessoa, in 'Ideias Filosóficas'



Na busca de qualquer resposta que se pretenda obter, é sempre imprescindível que se compreenda primeiramente a pergunta. É necessário delimitar o objecto de investigação em contornos bem estabelecidos, pois a mente humana não tem outro modo de conhecer seja o que for. Podemos pesquisar e ver que diversas culturas e filosofias nos dizem que temos outros recursos humanos, para além das ferramentas da mente e que nos permitem conhecer a realidade de formas mais directas e completas. No entanto não me debruçarei sobre isso no presente texto. 
A mente humana não consegue abarcar nem trabalhar com o conceito de infinito, e por isso dedica-se a delimitar os conceitos com que trabalha. Consoante os limites que damos à nossa pergunta, assim teremos respostas mais ou menos fiáveis. Se o limite que lhe damos aproxima-se, sem nunca o ser, do infinito, poderemos dizer que a resposta é uma muito boa aproximação da verdade, que nunca alcançaremos totalmente com a mente. Mas se os nossos limites forem estreitos e demasiado restritos, acabaremos por encontrar uma resposta à medida do nosso entendimento, que é estreito e restrito. 
O muito usado cliché "abrir a mente", torna-se neste caso necessário a toda a procura humana por respostas nas questões da vida, desde as mais abstratas, que tocam já os mistérios da vida às mais comuns e relativas aos desafios do dia-a-dia. Abrir a mente é identificar os limites que damos às coisas e alargá-los, pondo luz sobre caminhos nunca pisados. Ter novas experiências, desenvolver novas ideias, formar novos conceitos. É subir uma escada onde vamos galgando patamares de certezas e verdades relativas que se renovam em cada passo, na aproximação para algo mais claro e mais fundamentado, ou construir, como o Nautilus, cada compartimento a seu tempo, fechando-o para acima desse construir um novo, usando a harmonia da Regra de Ouro que se estuda na matemática. 
É neste percurso que se dissipam as dúvidas, os medos e os preconceitos. É nesta atitude, que o percurso da ignorância para a sabedoria vai acontecendo, e a Vida, sendo sempre a mesma e una, adquire o dom de se renovar perante os nossos olhos, à medida da renovação que se sucede em nós mesmos.