Como vais viver a tua passagem de ano?


Aproxima-se o final do ano e a passagem do Ano Velho ao Ano Novo, altura que funciona psicologicamente como uma espécie de "pequena morte", revelando sempre os seus pequenos mistérios e deslumbramentos a quem sabe "morrer" para renascer em seguida. 

Olhamos para trás, analisando o ano que passou em retrospectiva, naquilo que fizemos, no que nos aconteceu, no que poderia ter acontecido, nas pessoas que nos acompanharam ao longo dos nossos dias, nas alegrias, nas tristezas, nas esperanças por cumprir, e olhamos para o ano que nos espera já ali ao virar da esquina com um renovado desejo de viver. Fazem-se planos de mudanças, projectos, resoluções de vida, promessas a nós mesmos, ao mundo ou a alguma entidade superior, renovam-se votos, desejam-se felicidades aos que mais amamos... Alguns passam este momento com a família, outros com amigos, aguardando todos a meia-noite, quando se felicitam mutuamente, acompanhando o momento com alguma gastronomia, que no caso de Portugal, será mais tipicamente o polvo ou a chamada "roupa velha", feita com bacalhau.

De muitas tradições e superstições é rodeada esta data tão especial. Com uma presença assídua nas celebrações portuguesas, as 12 passas que se comem sincronizadamente com cada badalada do relógio à meia-noite, representam os 12 meses do novo ano e são acompanhadas de champagne. É costume pedir um desejo ao comer cada uma delas.
É hábito também celebrar com ruídos estrondosos, extravasando alegria. Seja com música, com o bater em panelas ou com fogo-de-artifício, este costume vem de antigas tradições pagãs que o faziam para espantar os maus espíritos, proporcionando um novo ano limpo de males.
Também é costume estrear uma peça de roupa nova para a passagem do ano, ou mais especificamente umas cuecas novas, para, dizem, atrair a sorte no amor. Quanto às roupas, suas cores respectivas e outros rituais, há uma miríade de superstições e tradições:

  • Vestir de vermelho para atrair fortes emoções, paixão e sensualidade;
  • Vestir castanho para melhoria da carreira profissional ou no caso de estar desempregado;
  • Vestir amarelo para resolver problemas económicos e colocar uma nota dentro do sapato. Quando der a meia-noite, deve-se atirar moedas e notas ao ar para atrair a riqueza. Se, entretanto, sentir alguma comichão na palma da mão direita é sinal que foi bem sucedido, e a sua situação económica irá melhorar. Se sentir o mesmo na mão esquerda... é melhor tentar outra coisa.
  • Roer sete sementes de romã na noite de passagem de ano, embrulhá-las num guardanapo e guardá-las na carteira. Ou então, colocar uma folha de louro na carteira e deixá-la lá o ano inteiro. Em ambos os casos, a superstição diz que é dinheiro na certa... 
  • À meia-noite deve cumprimentar em primeiro lugar uma pessoa do sexo oposto para dar sorte. 
  • Para os recém-casados, dizem que os lençóis novos, na primeira noite do ano, deixam todas as ameaças à felicidade e ao abandono... na máquina de lavar. Por isso é estreá-los na noite de passagem de ano e lavá-los logo no dia seguinte. 
  • Não esquecer: não se deve estar na passagem de ano com os bolsos vazios, porque assim eles permanecerão tal e qual no resto do ano! Também nada de roupa apertada para não trazer dificuldades económicas. E é melhor certificar-se de que todos os buracos, rasgões ou botões estão bem cosidos na roupa para atrair a boa sorte! 
  • Para quem é menos materialista e só quer paz, luz e prosperidade, o ideal é vestir qualquer coisa branca. O prateado também revela o desejo de espiritualidade e, se anseia por um ano de grande reflexão e serenidade, deve optar pelo lilás; 
  • Para atrair muita saúde e harmonia opte pelo verde; 
  • Para melhorar a comunicação com os outros deve vestir o azul; 
  • É essencial não discutir no primeiro dia do ano, para que não venha a passar todos os 12 meses a barafustar. 
  • Não se deve nunca atrair o lado negativo das coisas, fazendo um desejo pela negativa. Por exemplo: em vez de "não quero estar desempregada(o)", desejar "vou encontrar um emprego"; 
  • Quem tiver com intenções de subir na vida, deve subir com o pé direito para um banco ou cadeira. 
  • Para deixar para trás tudo o que se passou de mau, é dar três pulinhos com uma taça de champagne na mão, sem derramar nenhuma gota. Depois, atire o líquido para trás das costas de uma só vez, sem sequer olhar. Não se preocupe se molhar alguém, pois quem for atingido terá a sorte garantida para o ano inteiro! 
  • Não se deve comer aves na última refeição do ano velho, para não deixar que a felicidade voe para longe. Por seu turno, não faz mal nenhum comer chocolate, pois atrai riquezas, e para qualquer apaixonado, será obrigatório incluir as uvas e maçãs na ementa, pois representam a união e o amor. E já agora, incluir as ostras, pois é garantia de um ano forte em sexo. 
  • Na entrada do Ano Novo, qualquer casa deve estar limpa, ordenada e tudo o que é lixo, velho ou partido e estragado deve ser deitado fora, incluindo trocar lâmpadas fundidas. É uma limpeza e organização profunda que reflecte a nossa própria limpeza psíquico-mental para realizarmos esta renovação de ano novo no campo que nos é mais pedido: nós mesmos.

Com superstições ou sem elas, festejando de uma maneira ou de outra, a todos desejo uma renovação profunda nesta passagem para o Ano Novo de 2013, que ela vos permita atingir todas as vossas metas e sonhos, que os hábitos, pensamentos, emoções, estilos de vida, lugares, pessoas, e situações velhas, estagnadas, causadoras de sofrimentos, que vos impedem de avançar, trazendo impedimentos e dificuldades, sejam todos identificados e renovados positivamente, em oportunidades novas, em novos ambientes, novas atitudes, novas mentalidades, novas maneiras de sentir, novos sonhos e renovadas forças para seguir no trilho da vida, que, para além de desafios e dificuldades, tem também sempre - ainda que pensemos ser de curta duração ou que vejamos apenas em pequenos pormenores que por vezes nos escapam - algo que nos faz sorrir, que nos traz esperança, que nos faz sentir realizados, amados e felizes. 
Para este Ano Novo que aí vem, cultivem a atenção ao que vos rodeia, a capacidade de ouvir (e não apenas escutar) o outro, de descobrir o elemento comum nas coisas aparentemente opostas e irreconciliáveis, aprendendo a ter mais compreensão e capacidade de gerar harmonia. Exercitem a vossa capacidade de amar e de dar, ao invés de apenas exigir e querer receber. Esforcem-se para terem aquilo que querem, lutem por aquilo em que acreditam e não desistam facilmente de nada. Aprendam a suportar as dores com um sorriso, em vez de procurar alguém que receba os vossos queixumes e que carregue os vossos fardos (pois também já possuem os deles, ainda que não aparentem). Procurem crescer em todos os sentidos. Habituem-se a pesquisar sobre o que desconhecem e a pensar com maior profundidade, deixando as opiniões sem fundamentos de lado para fortalecer as convicções, e quando tiverem convicções, aceitem que ainda assim podem estar errados e que é sempre possível aprender mais e renovar o que se sabe, cultivando assim a maior virtude de todas: a humildade. Sejam pessoas melhores a cada dia e eduquem quem têm ao vosso lado, sem arrogância, para que o sejam também; com paciência, amor, dedicação e firmeza. 
Façam de 2013 exactamente o que dele pretendem: um ano melhor, com pessoas melhores, vivendo num mundo melhor. 


Bom Ano!






A essência do Natal



Feliz Natal!
Mas o que é o Natal? Porque vivemos actualmente uma época chamada Natal?
Durante os três primeiros séculos da nossa Era, os cristãos não celebravam o Natal. Na Bíblia, não há referências sobre o dia do nascimento de Jesus Cristo, nem recomendações para que esse dia fosse celebrado, como seriam os seus aniversários de morte e ressurreição.
Portanto, ao contrário do que muitos acreditam, a origem do Natal não está no nascimento de Jesus. A festa natalina tem origens pagãs, e foi posteriormente associada à comemoração romana denominada Brumália.
A Saturnália, festa em homenagem ao deus romano Saturno, ia de 17 a 24 de dezembro. No dia 25 de dezembro, imediatamente após a Saturnália, comemorava-se a Brumália, o nascimento do deus-sol, ou o Natalis Solis Invictus, o "nascimento do Sol Invencível". A data, no Hemisfério Norte onde era celebrado, coincide com o solstício de inverno, dia mais curto do ano, com menos horas de luz. A partir do solstício de inverno, as noites começam a diminuir, e os dias a aumentar, simbolizando assim o retorno da Luz que reside na essência das coisas e que nunca morre, avançando novamente sobre a noite depois de atingir o seu ponto mínimo mas nunca nulo.
A celebração do Sol Invencível foi estabelecida em 274 d.c., pelo imperador Aureliano, depois do seu triunfo no Oriente, e incluía corridas de cavalos - trinta bigas - em honra do Sol.
Em 325, o Imperador Constantino convocou o Conselho de Niceia, que fixou as datas mais importantes dos festivais cristãos, tendo sido estabelecido o dia 25 de Dezembro para representar a data de nascimento de Jesus por coincidir com a maior festa dos romanos - o nascimento do deus Sol, que estava largamente enraízada no povo.
Este nascimento do Sol era também celebrado por muitos outros povos do globo, em diferentes formas mas sempre com o mesmo conceito-base. Desde os Egípcios na figura de Hórus menino nos braços da sua mãe Ísis, ao nascimento de Mitra (culto romano) que contém elementos muito semelhantes aos do nascimento de Jesus; na região gaulesa, os celtas celebravam este dia sob o nome de «Deuorius Riuri», como se pode ler nessa famosa e importantíssima descoberta arqueológica que é o Calendário de Coligny.
Muitos outros elementos sobre festividades semelhantes de outros povos poderão ser vistas aqui. Assim, celebrar o Natal é celebrar o nascimento do Sol que é invencível, aquelas qualidades interiores que nos fazem resistir às adversidades, ter um novo fôlego, aquilo que constitui o melhor dentro de nós mesmos, e que são a Luz Invencível que podemos trazer a um mundo repleto de dúvidas, medos, falta de valores humanos, entre outras "sombras", e paulatinamente, fazer crescer a mesma Luz no interior dos que nos rodeiam e levar o Inverno da Vida a um Verão luminoso, à obra completa da Natureza, ao expoente máximo das realizações.
Assim termino desejando a todos um Feliz Natal: que o sol invencível nasça nos vossos corações e vos renove interiormente, trazendo, entre outras coisas, paz, alegria e amor.



Sobre o fim do mundo




Hoje irei abusar da vossa paciência e gosto pela leitura e estender-me um pouco neste post que espero que contribua para vos esclarecer e ampliar os horizontes. Muito se tem falado sobre este tema e uma autêntica histeria foi gerada à volta do mesmo, histeria essa inteligentemente aproveitada por outros que se dedicaram e dedicam a ganhar muito dinheiro com isto. Felizmente o nosso país, por tradição moderado e neutro, sente pouco este fanatismo com a ideia do fim do mundo, face a outros locais do planeta.

O homem tem sempre a tendência a cair no protagonismo e na necessidade de se sentir o centro do universo, dando expressão ao seu egocentrismo, o que deriva, entre outras coisas, nas fantasias escatológicas. Assim, o Sol é que girava em torno da Terra, o que Deus faz ou deixa de fazer gira sempre em torno e como consequência das acções do homem, se existirem extraterrestres é óbvio que estão preocupadíssimos em comunicar connosco ou em tentarem destruir-nos, e todos os desastres naturais têm que ser encarados com um filtro Hollywoodesco em que a espécie humana é o centro de tudo e a única perspectiva sob a qual podemos perceber um acontecimento.

Se nos conseguirmos destacar desta loucura do egocentrismo, talvez poderemos observar que tudo tem leis próprias que não dependem nem servem o homem. O tempo, questão fulcral para se entender esta questão do "fim do mundo", também tem a sua própria lei, que é muitas vezes ignorada. Se encararmos o tempo como um fluxo que não é linear, mas que se desenvolve em espiral num movimento progressivo, podemos começar a entender o que são ciclos e porque por vezes temos a sensação de que certas coisas se repetem, seja na nossa vida, na vida dos outros, na sociedade, na história, na natureza, etc. 

Existem ciclos. Podemos ver todos os dias na repetição do nascer-do-sol e do pôr-do-sol. Apesar de ser o mesmo "acto" repetidas vezes, há uma progressão no tempo e há sempre alguma diferença: nenhum nascer do sol é exatamente igual ao seguinte, nem a nossa percepção do mesmo é da mesma maneira, devido às flutuações dos nossos estados de espírito. O mesmo se passa com o acordar e o adormecer, e com ciclos mais complexos como são os históricos, em que as mesmas situações são passadas pela humanidade, em tempos diferentes e com diferente "roupagem", mas são a mesma situação, exigiam o mesmo tipo de bases e muitos generais e líderes no passado, sabendo isto, estudavam afincadamente a História com vista a empreender decisões mais certeiras, apoiando-se nas experiências do passado em situações semelhantes, ainda que não exatamente iguais.

Estes ciclos, que são mais facilmente visíveis quando se tem uma maior ligação ao meio natural, pois o seu funcionamento base assenta neles (todos conhecemos os ciclos das marés, da Lua, etc), eram mais óbvios às sociedades antigas. Do desenvolvimento desta percepção, conseguiram intuir e raciocinar sobre as leis sob as quais se manifestam esses ciclos. Tiveram a capacidade de achar uma ligação que ainda hoje se procura matematizar na ciência, nomeadamente na Física: uma união entre as leis do infinitamente pequeno e das do infinitamente grande -  a Teoria de Tudo (Law of Everything), como foi chamada pelo cientista Stephen Hawking. Este pensamento que os animava pode-se traduzir nas palavras: "O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima.", que é uma das leis ou princípios da filosofia hermética, o que quer dizer que existe uma relação de analogia (e não de igualdade) entre os grandes sistemas e os pequenos sistemas, existindo também uma relação de analogia entre as realidades menos materiais, mas ainda assim reais (como as estruturas de pensamento e as emoções, p.ex) e as mais concretas (p.ex. as físicas).

O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima.

Muito brevemente, os Maias acreditavam que esta altura pela qual passamos seria um ponto de inflexão de um ciclo e não o fim do mundo. Quanto muito, seria o fim de "um" mundo, um conjunto de estruturas subjacentes a uma realidade pessoal, social, psicológica, mental, etc, que desabaria ou transmutar-se-ia para dar lugar à construção de novas formas e estruturas, formando assim a semente de um novo ciclo e de um "novo mundo". Esta data que vivemos, a 21 de Dezembro de 2012, era considerada para os Maias como o último dia de um ciclo de 5125 anos do seu calendário de contagem longa, da mesma maneira que o 31 de Dezembro postula para nós o fim do calendário anual, diferindo assim apenas na ideia de tempo linear ao contrário da noção de tempo cíclico dos Maias.

Tenho visto duas abordagens distintas para este tema nas pessoas: a crença num fim do mundo apocalíptico derivado de diversas explicações pseudo-científicas ou fantasiosas, que é a crença num mal ao qual não podemos escapar, dando lugar ao surgimento de toda a espécie de medos enraízados na psique humana encaminhando-se em extremo para um sentimento de pânico e incapacidade, e a outra abordagem centra-se numa mudança provinda do exterior, que por si só causaria uma transformação interior nas pessoas e consequentemente no mundo, o que é a crença num bem, que reside fora de nós e que nos "resolve" os problemas e nos dá paz, consciência, amor, etc. O que implícitamente envolve uma certa desresponsabilização (pois as energias, influências, alinhamentos, etc, farão tudo por nós), e estagnação da acção positiva de crescimento e desenvolvimento pessoal e colectivo.

Penso que a resposta correcta para quaisquer indagações que vos possam surgir está, como diz no Budismo, no Caminho do Meio. Não há bem, nem há mal nas coisas, existem apenas leis, que sujeitas a interpretação ou determinado uso, se tornam em bem ou em mal. Existem ciclos. Existem estruturas dentro e fora de nós que decaem com o tempo e são reconstruídas continuamente, pois tudo está sempre em movimento, umas vezes mais vísivel e outras num movimento tão suave que quase nos parece parado. Também existem influências: dos outros sobre nós, da Lua (as mulheres sentem especialmente isto nos seus corpos e emoções), do Sol (na nossa vitalidade - como nos sentimos bem após apanhar aquele sozinho no rosto...), de imensas coisas que nem conseguimos quantificar ou perceber em que consistem, mas que no entanto não nos retiram totalmente a capacidade de agir segundo o que queremos fazer por estarmos "influenciados", se verdadeiramente temos força de vontade e uma mente decidida, embora nos possam dar algumas condicionantes ao nosso caminho.

Se esta altura é um ponto de inflexão entre o fim de uma estrutura e outra, então aproveitemos para deitar fora o velho e deixar entrar o novo, em vez de continuar a fazer remendos. Aproveitemos para fazer a renovação de paradigmas, conceitos, crenças, modos de agir, de sentir, de falar, de amar, de tratar do nosso corpo, da nossa casa, do nosso entorno, de quem está ao nosso lado, daquele que está no outro lado do mundo, da natureza que nos rodeia, da nossa compreensão do mundo, dos nossos hábitos velhos e que nos provocaram já a estagnação que não nos leva a lado nenhum, em suma, renascer para o mundo assim como para nós mesmos. E para os que querem um mundo melhor e uma vida mais feliz, saibam que esse mundo só virá quando cada um dos que vivem nele se empenharem nesta renovação integral, de dentro para fora em primeiro lugar, pois o mundo é reflexo daquilo que somos e do que temos dentro.

Tenham um bom dia e... até amanhã! :)

Sobre a beleza de uma mulher




"Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas." 
Séneca


As verdadeiras qualidades ao alcance de qualquer Ser Humano


"Prayer",  Nishma Sachedina


"Ao avaliar o nosso progresso como indivíduos, tendemos a concentrar-nos nos factores externos como a nossa posição social, a influência e a popularidade, a riqueza e o nível de instrução. Como é evidente, são importantes para medir o nosso sucesso nas questões materiais, e é bem compreensível que muitas pessoas se esforcem principalmente por alcançar todos eles. Mas os factores internos podem ser ainda mais cruciais para determinar o nosso desenvolvimento como seres humanos. A honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a pura generosidade, a ausência de vaidade, a prontidão para servir os outros - qualidades que estão facilmente ao alcance de qualquer criatura - formam a base da nossa vida espiritual."  
Nelson Mandela, Carta a Winnie Mandela, 1 Fevereiro 1975


Aceitas o desafio?



O blog FOTOsophia já ultrapassou as 1000 visitas! :)
Queres ajudar-me a chegar às 2012 visitas antes do final do ano? Partilha com os teus amigos! Estás mais pelo facebook? Então faz "Gosto" e partilha a página: facebook.com/fotosophia  Obrigada!

A humildade como base




"A humildade é a única base sólida de todas as virtudes."




Uma reflexão:

A flor da fotografia, pela qual muita gente passa e nem repara (pela altivez das suas linhas de visão que não abarcam todo o espectro, sendo assim um símbolo do orgulho), esta flor, pequena e frágil, simboliza para mim a humildade. Ela, ainda que humilde, é capaz de emanar de si outras virtudes que podemos também ver nela simbolizadas: a Beleza (da qual se depreende também Amor, pois essa beleza é dada ao mundo sem pedir nada em troca), a Vitalidade, pela energia que coloca no seu crescimento, a Coragem (ao ter nascido num sítio tão difícil para uma flor viver)... 


Numa perspectiva humana, a humildade é o primeiro passo para a obtenção das restantes virtudes, pois sem esta não podemos ter a mente clara e livre de filtros e divagações para que se possa procurar a Verdade sem restrições de fonte, não se pode ouvir o outro sem julgar e sem confronto, e assim, desenvolvermos as virtudes que nos faltam e que nos levam a cometer erros e a sofrer com eles, além de espalhar o sofrimento ao nosso redor também. 

Boas foto-reflexões! :)




Igualdade não é Identidade



"Combaterei pelo primado do Homem sobre o indivíduo - como do universal sobre o particular. Creio que o culto do universal exalta e liga as riquezas particulares - e funda a única ordem verdadeira, que é a da vida. Uma árvore está em ordem, apesar das raízes que diferem dos ramos.  
Creio que o culto do particular só leva à morte - porque funda a ordem na semelhança. Confunde a unidade do Ser com a identidade das suas partes. E devasta a catedral para alinhar pedras. Combaterei, pois, todo aquele que pretenda impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos. 
Creio que o primado do Homem fundamenta a única Igualdade e a única Liberdade que têm significado. Creio na Igualdade dos direitos do Homem através de cada indivíduo. E creio que a única liberdade é a da ascensão do homem. Igualdade não é Identidade. A Liberdade não é a exaltação do indivíduo contra o Homem. Combaterei todo aquele que pretenda submeter a um indivíduo - ou a uma massa de indivíduos - a liberdade do Homem. 
Creio que a minha civilização denomina «Caridade» o sacrifício consentido ao Homem para que este estabeleça o seu reino. A caridade é dádiva ao Homem, através da mediocridade do indivíduo. É ela que funda o Homem. Combaterei todo aquele que, pretendendo que a minha caridade honre a mediocridade, renegue o Homem e, assim, aprisione o indivíduo numa mediocridade definitiva. 
Combaterei pelo Homem. Contra os seus inimigos. Mas também contra mim mesmo."  
Antoine de Saint-Exupéry, in 'Piloto de Guerra'




A necessidade de escolas filosóficas

Créditos fotográficos: Eric Gevaert - "Sailing with a beautiful sunset" 

"Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão.
Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito."
Agostinho da Silva, in 'Considerações'



O prazer do que é livre



Créditos fotográficos: Vo Anh Kiet


"O prazer apresenta-se como o verdadeiro Bem e é este que nos indica o que convém à nossa natureza. Mas o sentido do prazer reveste-se de condições especiais: tem de ser puro, duradouro e estável; tem de dar ao homem a experiência da liberdade e da imperturbabilidade.
Por conseguinte, quando dizemos que o Prazer é o Bem supremo, não falamos dos prazeres dos debochados, nem dos gozos sensuais, como pretendem alguns ignorantes que nos combatem e desfiguram o nosso pensamento. Falamos de ausência de sofrimento físico e da ausência de turbação moral."



A mentira nas palavras



"A mentira é, falando com propriedade, a ignorância que afecta a alma do que engana; porque a mentira nas palavras não é mais do que uma expressão do sentimento que a alma experimenta, não é uma mentira pura, mas um fantasma filho do erro." 
Platão








Homenagem a Oscar Niemeyer





Poema da Curva

“Não é o ângulo reto que me atrai,
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.”

Conceituado arquiteto brasileiro falecido a 5 Dez 2012, com 104 anos






Ver o mundo como ele é

Créditos fotográficos: Massimiliano Ramuschi


"Olhou de novo em seu redor, como se visse o mundo pela primeira vez. O mundo era belo, estranho e misterioso. Havia azul, amarelo e verde, havia céu e rio, havia florestas e montanhas, tudo belo, tudo misterioso e fascinante, e no meio de tudo estava ele, Siddhartha, o que despertara, a caminho de si mesmo. Tudo aquilo, todo aquele amarelo e azul, rio e floresta, passou pela primeira vez pelos olhos de Siddhartha. Já não eram a magia de Mara, já não eram o véu de Maya, já não eram as diversidades fortuitas e sem sentido das aparências do mundo desprezadas pelos profundos pensadores brâmanes, que desdenhavam a diversidade e procuravam a unidade. Rio era rio, e se o Único e o Divino em Siddhartha viviam secretamente em azul e rio, era apenas por a arte e a intenção divinas quererem que ali fosse amarelo e azul, ali céu e floresta - e aqui Siddhartha. O significado e a realidade não estavam ocultos, algures, atrás das coisas; estavam nelas, em todas elas."

in "Siddharta" de Hermann Hesse



Sabes ajudar o outro?

Créditos fotográficos: Design D'Autore

"O que é ajudar? Não é comando, nem interferência, nem fazer da outra pessoa uma imagem de nós mesmos, mas dar a nós mesmos, sem reservas, aquela forma modulada que se harmonizará com a vida da pessoa a quem buscamos auxiliar."
Sri Ram



As pessoas mais perigosas




"A Filosofia é uma procura de encontrar a verdade, coisa extremamente perigosa. 
 A mais perigosa de todas as pessoas é aquela que tem a verdade num bolso."
Agostinho da Silva

Treina o teu olhar e a tua mente





Isto é FOTOsophia: um olhar atento sobre a linguagem da Vida em todas as imagens que nos chegam. Reparas nos pormenores que te rodeiam? Nas mensagens que te seguem e se repetem nos acontecimentos, nas palavras, nos objectos ou nas situações de vida? Consegues compreender para além dos véus de aparência a essência que reside em tudo e que te quer falar?
Esta foi uma das mensagens que se "iluminou" para mim durante esta semana, para refletir.
O ser "socialmente consciente".
E tu, já fotosophaste hoje? :)




Inauguração da exposição FOTOsophia



No passado dia 15 de Novembro, em que se comemora o Dia Mundial da Filosofia, foi inaugurada a exposição: FOTOsophia - imagens de auto-conhecimento na escola de filosofia Nova Acrópole de Coimbra, à qual muito agradeço o convite para expor o meu projecto no seu espaço. 
Esta exposição foi dedicada ao filósofo Nilakantha Sri Ram, cujos pensamentos, de uma clareza e doçura marcantes, inspiraram cada uma das fotos.
Neste dia, os visitantes puderam também participar num debate aberto intitulado "Filosofia, um GPS para a vida", o que permitiu aos participantes a descoberta do que é a Filosofia, da sua vertente prática no dia-a-dia e das vantagens de se ter uma postura filosófica na vida.
Deixo aqui um muito obrigada a todos os que puderam estar na inauguração, aos que já a têm visitado posteriormente e aos que por lá ainda passarão até ao dia 7 de Dezembro, data de fecho da exposição.
Faço o convite a todos que apareçam e desfrutem da arte de fotosophar!
Aqui ficam algumas das fotografias da inauguração, cedidas pela direcção da escola.



Apresentação que me foi feita pelo Dr. José Ramos, director da N.A. Coimbra
Apresentação de inauguração à exposição

Intervenção de um elemento do público

Agradecimento da escola Nova Acrópole de Coimbra


Sobre as aparências e os teus princípios




"Se queres fazer progressos, não evites, no que toca às aparências, passar por lerdo ou insensato, nem queiras parecer sábio. E se alguém pensar que és importante, desengana-te. Sabe pois que não é tarefa fácil manter os teus princípios conformes à natureza e, ao mesmo tempo, manter as aparências.
De facto, quem com uma destas coisas se preocupa, forçoso é que descure a outra." 
in "Manual" de Epicteto 

Sobre a questão do Bem e o Mal


Crédito Fotográfico: Ibrahim M. Al Sayed

"A bondade é maldade transmutada pela força da evolução, e o Mal é o Bem caído na involução.
- O Bem e o Mal são, então, na sua essência, a mesma coisa?
- Por acaso pode haver duas essências absolutas? Podem coexistir duas forças absolutas? Tu sabes que não. O Essencial deve ser forçosamente Uno.
- Então, venerável irmão, são a mesma coisa o Bem e o Mal, as duas a mesma essência?
- A essência é una, todavia ela está além do Bem e do Mal, tal como os apreciamos no nosso presente estado mental. Ela está "por detrás", se me permites a expressão, de toda a manifestação. Isto, mal que pese aos mentalistas, que tudo querem reduzir ao inteligível e ao inteligente, é uma verdade evidente na Natureza, e a ascese mística confirma-o. O cão é manso e amigo do homem: nós chamamos-lhe bom; o leão, pelo contrário, parece uma encarnação do indómito e, se lhe for possível, despedaça e devora quantos seres humanos estiverem ao seu alcance: chamamos-lhe animal daninho, mau. Mas são, na realidade, seres bons e maus? Não será a nossa apreciação emotivo-mental pessoal que julga pelos factos externos, completamente "a priori"? O cão é bom para as suas vítimas, ou para os animais que despedaçamos a fim de alimentá-lo, para as peças de caça que entrega às mãos do homem? Por outro lado, é o leão mau para as árvores, as rochas, as mariposas?"
in "O Alquimista" de Jorge Angel Livraga

A transcendência do ser humano



"Os seres humanos não se conformam com a sobrevivência, têm necessidade de encontrar sentido naquilo que fazem e na própria vida. Se a existência de uma pessoa se reduz à simples sobrevivência, tal como acontece com um animal, pouco a pouco a sua consciência vai-se saturando de tanta intranscendência e é aí que aparecem estas patologias hoje infelizmente tão comuns: a angústia e a depressão."
Leonardo Santelices




A Vida para além da vida



Razão de viver

Um dia, enquanto escutava o coração,
Que dormia. Sem perceber o que sentir.
Sem entender. Nem sequer sorrir.
E a alma desacordada. Em solidão.
Enxergou em si uma força estranha.
Estupidamente insistente. Resistente!
Atordoava-lhe todos os sentidos. Rigidamente!
Como se se tratasse de uma simples manha.
Mas não, apelidava-se de viver.
E não possuía nada de concreto.
Bastava-lhe apenas existir!
E foi daí que surgiu o tal sentir:
Por cores e pessoas. Ou um objecto.
Uma bandeira e o que estiver para vir!

Helder Morrison

Fotosophar musicalmente com a respiração




A magia da fotografia com uma música de arrepiar...


Muitas vezes no nosso dia-a-dia somos invadidos pelo stress, falta de energia, desânimo e cansaço físico, psíquico e mental e sentimos necessidade de restituirmos o nosso bem-estar. 
No pouco tempo que por vezes temos em tão agitadas rotinas de vida, existe algo muito simples que podemos fazer para promover a nossa vitalidade, tranquilidade e harmonia. A respiração é uma das funções mais básicas do nosso organismo, sendo totalmente indispensável à vida, no entanto, poucos sabem recolher deste acto mecânico e inconsciente todo o potencial que nele existe.
Deixo-vos o desafio de se ligarem ao poder relaxante desta música e destas imagens para porem em prática a respiração que vulgarmente se exercita nas ginásticas energéticas orientais (tais como o Tai Chi, Chi Kung, etc), onde se combinam além da respiração, a postura e movimento para harmonizar o físico, psíquico e mental como um todo. Sigam os passos simplificados:

1) Colocar-se numa posição cómoda (sentado ou deitado) e relaxar conscientemente todos os músculos do corpo, eliminando todas e quaisquer tensões, mantendo a língua contra o céu da boca, e a coluna direita.
2) Inspirar profundamente pelo nariz, enchendo os pulmões até à sua máxima capacidade, empurrando assim o diafragma para baixo e dilatando a barriga nesse movimento.
3) Em seguida, na continuidade do movimento anterior, contrair a barriga, expulsando o ar de baixo para cima à medida que se expira, pelo nariz.
4) Repetir desde o segundo ponto. Sentir-se a inspirar a energia activa que existe em volta, ao passo que se expira a energia estagnada que expulsamos de dentro, concentrando o pensamento no movimento causado pela respiração.
5) No final do exercício, deve-se recolher o prana (energia vital do corpo, posta em movimento através da respiração) levando as palmas das duas mãos, uma sobre a outra, a um ponto dois dedos acima do umbigo, ao centro. 

Observação: Quem tiver problemas respiratórios ou mais sensibilidade ao exercício poderá eventualmente sentir-se tonto, devido à maior afluência de oxigénio no organismo face ao habitual. Isto é normal e indica que de facto podem e devem trabalhar mais a vossa respiração, passando de uma respiração superficial a uma bem mais completa, usufruindo assim de todos os benefícios que ela tem para vos trazer.

Boas práticas!


O medo, uma constante da vida


"O homem não se liberta do medo em nenhuma idade da sua vida; assalta-o quando criança, no seu próprio berço envolto na obscuridade; oprime-o na adolescência através de mil dúvidas e frustrações; tortura-o na juventude sob a forma de antinomias, ou seja, as tendências entre a carne jovem e o espírito que reclama pelo que lhe pertence; consome-o na maturidade vendo os seus sonhos quebrados como pássaros de cristal que deploram as próprias mãos que os levantaram; e preenche a sua velhice com os fantasmas da morte próxima e do conhecimento do seu destino, se é que o tem.  
O importante não é não ter medo; mas sim evitar que o medo nos possua a nós. O homem deve ser senhor até das suas debilidades."    
Jorge Angel Livraga in "Pensamentos de JAL "     

O ecletismo: a posição mais sábia


"The Choice", Corrado Saurin

"Chama-se ecletismo à posição filosófica, que sem objectar à priori coisa alguma, as analisa e contempla, as compara e relaciona, na procura da melhor delas, para destacar finalmente a mais qualificada como digna de aceitação."
Jorge Angel Livraga in "Pensamentos de JAL "     



O que diferencia o diferente



Diferente não é quem pretenda ser.

Esse é um imitador que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentar, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias adiadas; esperanças mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ócio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O dever próprio de cada um

Crédito fotográfico: Robin Karim

"Mais vale cumprir o seu próprio dever (svadharma), ainda que de forma imperfeita, do que cumprir perfeitamente o dever alheio; é perigoso cumprir deveres alheios." 

Dharma é a ordem, a lei natural, o dever e a virtude. Svadharma é o dever próprio de cada um, a plasmação e aplicação do Dharma uno na multiplicidade de seres.
O dharma ou lei natural de um médico é diferente do dharma de um guerreiro, de um mercador ou de um artesão. 
A nossa realização pessoal faz-se pelo cumprimento do nosso papel como seres humanos na Vida: este grande palco no qual somos todos actores, onde temos a nossa máscara (do grego persona, de onde vem a palavra personalidade), temos as nossas circunstâncias (as nossas condições de vida, meio social e familiar, raça, época, civilização, etc) e temos ainda o nosso ser, que existe para além do corpo, das emoções e do pensamento, e que usa a máscara e as circunstâncias para representar o papel que lhe coube. 
É cumprindo esse papel e transcendendo-o que podemos trilhar a senda do desenvolvimento e da evolução, rumo àquele estado de libertação que no Oriente se designou como "iluminação". 
Na filosofia oriental, diz-se que o homem comum vive na ignorância das leis naturais e assim transgride-as, o que resulta em sofrimento e no reencarnar múltiplas vezes, buscando a experiência que lhe falta, purificando-se, até se libertar da roda da vida e da morte, atingindo finalmente o Nirvana, que significa literalmente "sair do bosque". É o sair da pluralidade, da desordem, da escuridão.
Ao cumprirmos o nosso próprio dever e não o de outro, ao percorrermos a senda que nos coube percorrer a nós nesta vida, ao vivermos as experiências que nos estavam reservadas e ao ultrapassarmos vitoriosamente as provas e desafios que a Vida nos coloca em frente para nos ensinar algo, crescemos por dentro e isso reflecte-se fora, nas nossas acções.



Fotografias famosas e seus autores - uma reflexão


Estas fotos seriam impossíveis de existir se estes fotógrafos repetissem um comportamento que hoje está totalmente disseminado na raça humana. O de viver alheado da vida, revivendo no seu mundo mental constantemente o passado ou criando ansiedades por vezes infundadas acerca de um futuro que almejamos ou tememos e que nos corta as asas para viver o agora, de maneira plena. Sim, é necessário rever o passado para aprender com ele, e claramente é necessário planear para podermos colher frutos num futuro, no entanto, a atitude insana a que me refiro trata-se de um pensamento circular repetitivo sobre cada um destes tópicos e que geralmente nos faz despertar emoções negativas: ansiedade, tristeza, dor, incapacidade, etc. É a este comportamento interno que me refiro e que deve ser abolido para vivermos o presente.

Quando assim vivemos, não prestamos atenção ao nosso entorno: ao que nos dizem, ao que acontece, aos pormenores do espaço que nos rodeia, em caso extremo ainda incorremos cair em algum buraco na rua se formos demasiado distraídos ou tropeçar em alguém. Este é um problema de excesso de egocentrismo (viver centrado no ego), onde os nossos processos mentais e emoções decorrentes deles nos absorvem toda a atenção e nos invalidam de nos podermos ligar genuinamente à vida, criarmos relações interpessoais ricas, termos uma boa memória e concentração, etc. 

Falando especialmente nas imagens que nos rodeiam, ao que acontece à nossa volta - foco da fotografia - podemos fazer dela uma espécie de terapia: algo que nos obriga a manter atenção em algo que não os nossos processos mentais, emoções, corpo... em suma, na nossa personalidade. Pode ser na verdade uma prática espiritual, uma meditação. Obriga-nos a viver o presente, a ver aquilo que acontece agora mesmo e aqui, faz-nos apreciar a beleza, a luz, as cores, a forma, as relações espaciais... e leva-nos para além disso, para aquele estado de contemplação que nos maravilha. Pode levar-nos a reflectir e a reter verdades que se encontram em todo o lado, basta saber olhar. Só é preciso estarmos atentos, concentrados, receptivos ao mesmo tempo que activos e dinâmicos. E assim se faz o "click".

É preciso saber criar um espaço dentro de nós onde conseguimos sentir essa paz de estar no silêncio da nossa mente a contemplar um momento, sem criarmos juízos de valor, preconceitos, antecipar coisas... É aqui, neste espaço interior, que temos contacto com aquilo que é a nossa essência, aquilo que jaz para além de todas as etiquetas que temos para nós mesmos sobre quem somos: relativas ao que fazemos, ao que temos, ao que gostamos, detestamos, ao nosso sexo, à forma como nos expressamos e também relativas ao outro. Neste silêncio apenas somos. Sem etiquetas, sem rótulos. E porque essas etiquetas variam no decurso da vida, esse "Eu sou" no silêncio de nós mesmos é na verdade o mais permanente e verdadeiro que podemos conhecer cá dentro. Mas é preciso conhecer, e para isso, fugir da loucura da humanidade dos mil pensamentos que giram constantemente e sem controlo na cabeça, da euforia emocional logo seguida de um período depressivo numa oscilação debilitante de emoções. É preciso calar todas essas vozes da personalidade humana que no fundo não são a nossa verdadeira essência, e assumirmos o controlo e a capacidade de pensar o que queremos pensar, sentir o que queremos sentir e manifestar para o mundo aquilo que realmente queremos e não o que os nossos impulsos momentâneos nos ditam.

Estes fotógrafos tiveram o dom de estarem atentos e registarem esses momentos que impactaram uma época e fizeram assim perdurar a história. Ainda que não tenham usado todo o potencial de estarem concentrados no presente, e ainda que o tenham feito inconscientemente pelo amor à fotografia, naquele momento viveram o presente e essa dimensão dentro deles que lhes diz quem são.

E tu, já fotosophaste hoje?


Douglas Kirkland e sua reprodução de Marilyn Monroe
Bill Eppridge e sua foto de Robert F. Kennedy depois de ser assassinado
Elliot Erwitt e a foto tirada em 1974 em Nova York
Brent Stirton segurando a foto tirada na República Democrática do Congo, em Virunga - o primeiro parque nacional da África.
Brian Smith - “A mágica da fotografia acontece quando você consegue imaginar o que acontece a seguir”

Jeff Widener segura a foto do “homem tanque” Tirada em 89

Harry Benson e a clássica fotografia dos Beatles tirada em Nova Iorque no ano de 1964


Karen Kuehn segurando a foto feita para uma edição da National Geographic


Lyle Owerko e a foto das torres gémeas sofrendo o ataque terrorista em 2001
Mark Seliger e a foto de Kurt Cobain que tirou para a Rolling Stone

Mary Ellen Mark segurando a fotografia tirada em 1990, chamada “The Great Golden Circus”
Neil Leifer e a foto da luta entre Ali e Liston
Steve McCurry e a famosa foto de Sharbat Gula - a mulher paquistanesa