Empreendedorismo e a filosofia do risco



Créditos fotográficos: Nils Eisfeld

"Alguns homens vêem as coisas como são, e perguntam: Por quê? Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: "Por que não?"
George Bernard Shaw


O empreendedor é aquele indivíduo que toma as rédeas da sua própria vida e conhecendo as suas potencialidades e os seus recursos, dirige todas as suas acções, estratégias e habilidades e mobiliza recursos externos com vista a alcançar os seus objectivos, amando realmente o que faz. É sempre uma pessoa ousada, que nunca vive no passado, raramente no presente e que tem substancialmente a sua visão colocada no futuro.
Tem que ter domínio dos seus medos, já que abraça o risco, convivendo com ele e aprendendo com as falhas ao invés de se deixar desanimar por elas. Reveste-se de Capital Intelectual: conhecimento, experiência, especialização.
Nas qualidades pessoais de um empreendedor, destacam-se:
a) iniciativa;
b) visão;
c) coragem;
d) firmeza;
e) decisão;
f) atitude de respeito humano;
g) capacidade de organização e direção.
A estas qualidades juntam-se a perseverança, flexibilidade, adaptabilidade, criatividade, positividade, assertividade, foco, auto-estima, vontade própria.

Todos nós temos a nossa filosofia de vida. O empreendedor é aquele que tem uma filosofia de vida de risco. Move-se na vida aceitando riscos como apostas de um futuro mais brilhante, emocionante e recompensador. Não aceita a rotina vã ou o patamar seguro que não leva a mais desenvolvimento, mas a um estagnamento confortável. É um guerreiro que aceita batalhas com a convicção de que irá vencer e alcançar o seu sonho, pois acredita em si mesmo.
No fundo, todos nós somos à nossa medida, empreendedores. Todos temos esse potencial dentro de nós. O segredo está em conseguir trazer essa faceta para fora pela nossa própria vontade, ao invés de depender de alguma situação ou de alguém que nos motive e nos coloque um fogo de entusiasmo dentro do coração.  
Somos como toros de madeira, que, relegados à inutilidade, absorvem a humidade do ar e da terra,  dilatam e apodrecem na imensidão de uma floresta, desaparecendo sem deixar rasto. Mas o mesmo toro, arriscando-se no fogo por meio de uma vontade que o ateia, descobre assim que ao caminhar rumo à aparente destruição, dá origem a algo mágico: a luz e o calor de um fogo vertical, que com as suas chamas sobe sempre para o céu, procurando a inspiração nas estrelas.
Acredita em ti, põe-te à prova, faz, erra, aprende com o erro e volta a fazer, conhece-te a ti mesmo, atreve-te e domina os teus medos com um entusiasmo impulsionador.
Faz nascer em ti um empreendedor e vive sua filosofia: a do risco.


Repensar a vida

Créditos fotográficos: Firman Hananda Boedihardjo

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos." 
William Shakespeare



Preocupa-te apenas com o que depende de ti



"De tudo quanto existe, algumas coisas dependem de nós, outras não dependem de nós. De nós dependem a opinião, os apetites, os impulsos, a aversão e, numa palavra, cada uma das nossas acções. Não dependem de nós o corpo, os bens, a fama, o poder e, numa palavra, tudo o que não constitui uma acção nossa. (...) mais importante é saber se pertence à categoria das coisas que dependem de nós ou às que de nós não dependem. Então, se for das que não dependem de nós, tem bem pronta a resposta: «não é nada comigo». "

in Manual, de Epicteto

A propósito de hoje estar um dia chuvoso, trago-vos hoje esta reflexão.
A chuva, na nossa sociedade é sempre indesejada por muitos; é desconfortável ter que andar com guarda-chuva para todo o lado, quem usa óculos fica sempre com as lentes "pintadas" de pequenas gotas, os carros na rua ameaçam-nos ao passarem perigosamente perto de poças de água, os acidentes na estrada multiplicam-se, o céu cinzento de nuvens chuvosas convida a tristeza e melancolia... Enfim, muitos são os motivos para reagirmos com desânimo quando abrimos os estores de manhã e vemos mais um dia de chuva, e ficamos a desejar o regresso rápido do bom tempo.

No entanto, ao pensar nisto lembrei-me de um relato de uma amiga que foi há tempos passar umas férias na Escócia. Ficou muito surpresa pela atitude dos escoceses face à chuva. Não corriam apressados para fugir dela, nem se preocupavam muito em abrir rapidamente o guarda-chuva na rua e muitos nem sequer o usavam. Estavam habituados à chuva, ela fazia parte da sua realidade e não era apenas um elemento a repelir, a evitar, a maldizer. Os poucos escoceses que observaram o comportamento desta minha amiga portuguesa, apressada a abrir o guarda-chuva e a correr entre sítios para a evitar, também a estranharam de volta, possivelmente percebendo logo que seriam estrangeiros. E como já dizia Fernando Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se", assim é também com os elementos da nossa vida que dizemos que nos incomodam, e que pensamos que mais valiam não estarem lá, como a chuva nos dias de Inverno. Por vezes o que nos incomoda mesmo é o nosso próprio incómodo face à situação, e não o objecto que dá forma à mesma. É essa resistência interior perante aquilo que apenas é, ou seja, que não é bom nem mau, apenas existe, que nos traz desconforto e até mesmo infelicidade. Afinal, que mal nos faz a chuva quando estamos plenos de vida e podemos usufruir dessa vida apesar da chuva? As crianças, que não desenvolveram ainda essa resistência interior, despreocupadas com as suas roupas ou cabelos, recebem a chuva como algo natural e até são capazes de a achar divertida.  
Mas há chuva a todos os níveis. Por vezes chove lá fora, mas outras vezes chove cá por dentro, quando o nosso céu emocional e mental está carregado e cinzento. No entanto, a vida continua sempre, e há uns que vivem na chuva maldizendo o céu que a oferece e tudo o que com ela está relacionado, mas há também quem viva na chuva entendendo que o que depende delas não é cessar a chuva e trazer o sol. O que depende delas é viver a vida apesar da chuva, não perdendo tempo ou gastando energias a maldizê-la ou a lamentar-se, é estar atento ao que está ao alcance, ao que se pode fazer, pensar, transformar, criar, transmitir, sonhar, amar. É uma questão de foco, de desapego das situações que nos desagradam para a identificação com a vida que nos permeia e com o que dela podemos retirar e dar também. Nisto descobrimos algo fantástico, já dito pelas tradições populares: "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Tudo é cíclico e tem apenas uma importância e peso relativos, que não nos devem perturbar no nosso caminho.  
Epicteto foi um filósofo estóico que apesar de ter sido escravo, soube ser livre dentro de si próprio, sabendo viver e ser feliz apesar da "chuva" da sua condição. Para além disso, ainda nos legou raios de sol nos seus escritos, que podemos usar para iluminar os nossos dias, reflectindo e pondo em prática os seus ensinamentos, mesmo naqueles dias de chuva e de céu carregado. 
E tu, já fotosophaste hoje?