Sobre os estados indesejados dentro de nós mesmos



Hoje perdi-me no tempo e ia quase ficando (não fosse o segurança dar comigo) fechada num departamento. É bom quando nos concentramos tanto em algo que perdemos noção do tempo, do espaço, do resto do mundo, e nos dedicamos exclusivamente a algo que nos propomos fazer. Vivemos aquela dimensão atemporal que está fora do mundano, onde reside a nossa essência que sempre espera poder recolher toda a nossa atenção. Afinal Einstein tinha mesmo razão, o tempo é relativo, e atrevo-me a dizer mais: é uma ilusão, fruto da nossa incapacidade de vivenciar o Agora, essa dimensão em que entramos tão raras vezes... Vivemos constantemente a reviver o passado e a projectar um futuro fantasiado nas nossas mentes...

Um acontecimento aborrecido que me perturbou inicialmente pôs-me no caminho dessa vivência. Afastei-me conscientemente dessa perturbação, que já jazia no passado, ainda que recente (e por isso mesmo para quê reviver em pensamentos circulares e emoções negativas?), e entrei no momento presente. E redescobri que nesse momento, e também neste em que escrevo, não existe problema algum que nos perturbe. Por isso deixei de lado todo o turbilhão emocional que se queria impor e disse um "basta". Eu é que decido que sentimentos ter, que pensamentos povoam a minha mente, que instintos opto por seguir, que reações face ao mundo externo terei, que acções tomo. Só eu tenho esse poder. Não há mais nada nem ninguém que o tenha. Está tudo dentro de nós, todos os recursos, todas as respostas, toda a verdade, toda a alegria, toda a felicidade, todas as potencialidades que sonhamos alcançar um dia e ainda outras que ainda nem nos atrevemos a sonhar, ou sabemos que sejam possíveis. Apenas temos que buscar dentro de nós e para isso precisamos silenciar primeiro as vozes interiores que nos perturbam todos os dias na forma de tristeza, de frustração, de raiva, de impaciencia, de preguiça, medo, de tantas outras coisas...

Num dia de tempestade, nublado, não é possível ver o Sol... Hoje foi mais um dia em que vi o Sol, pois ascendi além das nuvens negras e turbulentas. Tudo devido a uma situação menos boa que me surgiu na vida. Por isso, não há situações más, não existe injustiça, não existe o caos nem o azar. Tudo acontece para nosso bem, como aquela palmada que apanhámos dos nossos pais quando fazíamos asneiras em crianças. Os problemas, as dificuldades, as dores... fazem-nos crescer e ficar mais fortes. Embora seja uma ideia cliché, são poucas as pessoas que realmente se apercebem disto ao ponto de entenderem profundamente esta verdade no meio da angústia (nos dias bons é muito fácil) e viverem-na, tranquilamente de mãos dadas com a dor, tratando-a pelo nome e dizendo-lhe nos olhos "existes mas não me dominas". Perceber a vida assim dá-nos alento, vivifica a nossa esperança e providencía um sentido para a vida que hoje em dia nos escapa por entre os dedos cada vez que olhamos pela janela, ou ligamos a televisão para ver as notícias.

Amanhã, está atento(a) às tuas emoções, aos teus pensamentos, observa-os como se estivesses fora de ti. Sempre que vier alguma emoção ou pensamento que te perturbe, que esteja em contínuo "replay", que não desejas ou que não te traga nada de bom, foca toda a tua atenção nele e diz com todo o teu ser: "não". E depois põe a tua atenção noutra coisa qualquer que te faça bem, que seja útil a ti ou a outro, que te faça ter pensamentos mais harmoniosos ou emoções mais tranquilas e estáveis. Observarás, mais ou menos rapidamente, consoante o teu nível de domínio, que esses estados se extinguem como se fossem um fogo sem oxigénio para o alimentar ou uma erva daninha sem água. Tu tens esse poder e podes exercê-lo todos os dias, agindo directamente sobre as causas dos teus sofrimentos presentes e futuros, e encaminhando-te rumo à felicidade e estabilidade interior que tanto procuras.

Tem um óptimo dia!